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Liderar meio à crise com propósito e compaixão

Renato Dias
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“O sucesso é medido pela forma como tocamos a vida das pessoas.” – Bob Chapman, The Value of Identifying Values, 2012

O plano de ação pré-existente precisou ser interrompido e está em processo de redefinição. Os sentimentos são de frustração, irritação, medo, preocupação, ansiedade e incerteza. Hubert Joly, que é ex-CEO da Best Buy e da Carlson, teve a oportunidade de conversar com presidentes e executivos de outras empresas durante esse momento de incerteza e compartilha o que viu em relação a ações e decisões destas empresas. Confira neste artigo insights valiosos que podem ajudar você e seus líderes a lidarem melhor diante desta situação.

O fato é que todos estão tentando enfrentar a crise. A cada novo dia são desafios e necessidades de novas decisões. Manter ou não a loja, fábrica, escritório aberto? Até quando as empresas conseguirão – ou deverão – continuar pagando funcionários?

Nenhum líder estava preparado para liderar neste ambiente. Embora a situação lembra uma crise de 2008, uma pandemia mundial não pode ser comparada ou seguida de exemplo de nenhuma outra realidade já vivida. Entretanto, há um ponto que pode ser considerado: os princípios de liderança humanizada com propósito. O lucro neste momento não deve ser objetivo e sim consequência. É, mais do que nunca, hora de colocar pessoas e clientes em primeiro lugar.

Hubert Joly, dá um exemplo da própria Best Buy. Em agosto de 2019 vários líderes, incluindo Corie Barry, que foi sua sucessora no cargo da empresa, assinaram a declaração chamada “Business Roundtable Statement on the Purpose of a Corporation”, que tratava sobre o propósito das empresas. Essa assinatura comprometeu 181 CEOs a liderarem as empresas em favor de todos os stakeholders (clientes, funcionários, fornecedores, comunidades e acionistas). Na época, ainda sem a pandemia, esse ato foi em resposta ao capitalismo e seus efeitos na sociedade.

Quem diria que em menos de um ano esse compromisso iria estar sendo posto à prova de uma maneira jamais prevista. No momento atual, o propósito é o que mais importa.

Durante as conversas com outros executivos, Joly percebeu que os gestores estão mesmo sendo movidos pelo propósito e estão claramente voltados para as pessoas. Eles entendem que a crise atual é o momento de um líder ajudar o outro. Todos estão em contato constante com suas equipes trabalhando em conjunto para tomar as melhores decisões. Todas essas ações envolvem compaixão.

Liderando em tempos de crise

A principal ferramenta durante essa liderança em tempos de crise é a comunicação. Esses grandes líderes escolheram ter uma comunicação direta, consistente e transparente com os funcionários. O discurso de “estamos fazendo isto, e por esta razão” deixa a equipe mais segura e engajada no mesmo propósito.

Restrições de viagens a trabalho e incentivo e viabilização do trabalho home office foram outras ações tomadas de forma imediata. Além disso, Joly viu muitos CEOs oferecendo licença remunerada para funcionários doentes e àqueles com filhos afetados pelo fechamento das escolas. O apoio psicológico a funcionários que apresentam sintomas de ansiedade foi outra decisão totalmente voltada a uma liderança com propósito e compaixão.

Joly demonstra entender que a pandemia afetará o resultado da maioria das empresas, mas acredita que demissões é uma visão limitada para resolver o problema. Segundo ele, a empresa na qual já trabalhou, a Carlson Wagonlit Travel, sofreu em 2008 com a crise internacional que afetou as viagens corporativas, principalmente na Alemanha. O ramo de viagens corporativas exige profissionais de alto nível, capazes de organizar programações complexas que envolve vários trechos e tarifas áreas.

Naquele ano, a recessão fez com que o setor sofresse fortes impactos. As demissões foram a solução encontrada em muitos lugares. Na Alemanha, com a ajuda à legislação trabalhista, Joly pode gerir a crise apenas reduzindo a jordana de trabalho e mantendo os empregos. Naquela época, também ninguém sabia quanto tempo o mercado levaria para se recuperar. Entretanto, a manutenção dos empregos foi uma prioridade para a Carlson Wagonlit neste momento. Quando o mercado se recuperou a empresa tinha uma equipe pronta para atender o mercado mais aquecido sem nenhuma baixa nos talentos.

O fato é que a pandemia é terrível, mas ela é temporária. Os líderes que pensam dessa forma optaram por adotar cortes de pagamentos, afastamentos temporários ou redução de jornada. E são essas empresas que não precisam recomeçar quando a pandemia passar.

O valor das ações ou um propósito maior?

Está sendo muito gratificante ver as empresas que estão demonstrando liderança no cuidado que têm com os clientes. Mercados e farmácias, por exemplo, continuam funcionando para garantir a população o acesso aos itens essenciais.

Os ajustes às operações para intensificar a limpeza das lojas, reduzir o funcionamento para aumentar os processos de limpeza e oferecer períodos especiais para atendimento do público em idade de risco foram algumas ações que foram tomadas e que surgiram diante desta crise. Já outros grandes varejistas como Apple, Nike e Ralph Lauren tomaram a difícil decisão de fechar temporariamente as portas.

Foi um momento decisivo para essas lideranças, não importa o tamanho das empresas. Todos queriam buscar o equilíbrio entre a saúde corporativa e a saúde das pessoas.

A Amazon fez sua parte cuidando dos fornecedores. A empresa abriu um fundo de 5 milhões de dólares para ajudar pequenos empresários que são vizinhos da sede do grupo. Há outras empresas que também estão dispostas a intervir para garantir a sobrevivência dos seus fornecedores.

Quando olhamos para a comunidade, podemos citar a Johnson & Johnson que ofereceu na China ajuda com suprimentos médicos e equipamentos de proteção a diversas organizações envolvidas no combate ao Covid-19. Já a empresa ZOOM, que tem uma plataforma de videoconferência está possibilitando, de forma gratuita, as escolas a oferecerem aulas online através da plataforma. Empresas como Dior Guerlain e Givenchy estão utilizando suas fábricas de perfumes para produzir álcool gel para serem doados aos hospitais.

Todos esses exemplos só comprovam a validação da declaração da Business Roundtable e a importância de cuidar de todas as partes envolvidas. É uma grande mudança corporativa que nos fez limpar as lentes das nossas visões e enxergar que um propósito nobre e colocar os funcionários e as relações humanas no centro das operações pode ajudar a salvar a todos.

O ex-CEO da Best Buy aproveitou esse momento para lançar essa reflexão, pois o desempenho de uma empresa não está sendo, neste momento, medido pelo preço das ações ou pela projeção de lucro. Este é o momento em que o desempenho é avaliado único e exclusivamente na forma como a empresa, seus gestores e líderes vão tratar a todos para alcançar um propósito maior, que vai além das paredes da própria empresa. Além disso, é a chance de demonstrar confiança e cumprir com as expectativas de todos os stakeholders.

Você que está em uma posição de liderança, não importa o tamanho da sua empresa ou o quanto de dinheiro você tem em caixa, reflita: Quais medidas a sua empresa está tomando para ajudar pessoas ao redor dela? Como a sua empresa irá medir o próprio desempenho? Como quer que a sua liderança deste momento seja lembrada no futuro?

Fonte: Havard Business Review 

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