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O perfeccionismo deixará muitos líderes para trás. Aprenda como ser ágil!

Renato Dias
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O que antes poderia ser considerado um ambiente estável para os líderes, hoje, pós pandemia, é uma terra nova. Antes, os fatores corporativos e empresariais eram conhecidos e previsíveis e o sucesso era visto como a busca pela perfeição. Hoje, tudo muda de forma constante, ninguém sabe ao certo o que vem pela frente e esse desconhecimento não deixa espaço para a perfeição. Os líderes que insistirem nela, estarão ficando para trás a cada dia que passa.

Quem diria que o perfeccionismo se tornaria inconveniente. Esse que foi um dos adjetivos muito usados para descrever as qualidades de um bom profissional.

O Dr. Michael Ryan, Diretor Executivo do Programa de Emergências da Organização Mundial da Saúde, já atuou na linha de frente de diversas ameaças globais, inclusive no combate ao ebola, e, agora, ao novo coronavírus. Sobre gerenciar crises, ele diz: “Se precisar ter certeza de algo antes de agir, você perde. A velocidade precisa ser mais importante que a perfeição. Perfeição é tudo o que não queremos quando o assunto é gerenciar uma emergência.”

Estamos nos afogando meio às incertezas. Os líderes de todos os segmentos estão ajustando suas estratégias, remodelando a cadeia de suprimentos, reescrevendo regras operacionais. Tudo isso enquanto o ambiente se apresenta completamente novo a cada semana. Esse tipo de liderança exige agilidade mental. Contudo, há um porém: a nossa mente não foi criada para ser naturalmente ágil.

A nossa evolução ao longo dos anos treinou para que nossa mente ficasse mais distraído. A nossa mente também aprendeu a empatia, e essa característica fez com que nos reuníssemos em grupos e criássemos comunidades. Ela ainda foi programada para o ego, nosso mais básico mecanismo de autopreservação.

Para criar a habilidade de agilidade, essas três configurações precisam ser gerenciadas com eficiência. Iremos analisar cada um desses desafios em mais detalhes e apresentar dicas de como desenvolver essa mentalidade e gerenciar crises com resultados mais eficazes.

O Desafio da Distração

Quando lideramos em tempos de incertezas, precisamos considerar o panorama, compreendendo o contexto geral que está na prática sendo modificado e fazer planejamentos nas ações de curto prazo.

É um cenário desafiador, visto que junto com essas mudanças inesperadas chegam e-mails, reuniões, conteúdos, notícias. Estamos sobrecarregados de informação, o que aumenta o risco de nos distrairmos e colocarmos foco nos assuntos não importantes para o momento.

Distração – quando os pensamentos se deslocam rapidamente de um aspecto a outro – não é agilidade. É se voltar àquilo que está chamando a sua atenção, sem foco estratégico ou sem estabelecer prioridades de forma diligente.

Você deve estar se perguntando sobre como combater a distração. Para isso, você precisa da agilidade mental para alternar entre foco e conscientização. Foco é a nossa capacidade de direcionar atenção exclusiva a uma tarefa e executar prioridades de forma eficaz. Conscientização é a nossa capacidade de olhar o contexto geral, o futuro e as mudanças que vêm a seguir.

A conscientização nos permite detectar e avaliar as alterações no ambiente, ter uma visão ampla da nossa organização e, no fim das contas, conseguir distinguir os sinais dos ruídos. Após nos conscientizarmos da situação, colocamos em prática o foco para que possamos reagir de forma decisiva, empregar as habilidades necessárias e executar tudo com disciplina e eficiência.

Para testar a sua agilidade em alternar entre foco e conscientização, tente fazer o seguinte: conforme você lê essa frase, repentinamente retire seu foco dessas palavras e pense nas suas prioridades de hoje. Como foi? A troca ocorreu de modo instantâneo ou a sua mente precisou de um tempo? Alguma parte da sua mente ainda se demora nas palavras que você acabou de ler? Retire o foco de algo detalhado e tente analisar o contexto geral.

Para reduzir a distração e aumentar a agilidade mental, imagine que a sua liderança no momento seja composta de pequenos trechos — juntos, eles formam uma maratona, mas cada um representa uma corrida específica, esse é o nosso dia a dia.

Entre um trecho e outro, permita-se pausar um pouco. Deixe a sua mente se acalmar mesmo que por apenas um minuto. Faça pequenos intervalos ao longo do dia durante os quais o objetivo não seja conquistar ou alcançar algo. Essas pausas irão aprimorar o seu foco e a sua conscientização, e ajudarão você a avaliar se está direcionando o seu foco para o lugar certo.

O Desafio do Ego

Esse é um momento de reposicionamento de negócios, no meio de uma tempestade que ninguém sabe ao certo quando vai passar. Infelizmente, o ego pode atrapalhar qualquer tentativa de movimento ágil. O nosso ego normalmente se apaga aos nossos sucessos anteriores e à forma como tudo era feito. Hoje, estamos em outra realidade. Podemos inclusive dizer que estamos virados de ponta cabeça e que os sucessos do passado nem sempre são tão relevantes agora. O ego praticamente anula a nossa capacidade de sermos ágeis, pois costumamos reviver o passado nestes momentos.

O antídoto ao ego é o desprendimento. É preciso saber tirar o ego de cena por um tempo e basicamente deixá-lo do lado de fora do escritório, todos os dias antes de irmos trabalhar. Para os líderes, significa especialmente ser honesto quando não souber as respostas. Ser humilde para pedir conselhos, perspectivas e apoio abertamente e reconhecer que é preciso mais do que atenção para analisar um futuro desconhecido.

É preciso, entretanto haver equilíbrio entre desprendimento e autoconfiança. A sua equipe deve sentir que você confia na estratégia que está sendo executada. Quando você consegue deixar o ego de lado e ainda ter convicção, você instila um forte senso de confiança e segurança psicológica na organização.

Esse é o verdadeiro sucesso, sem importar muito com o resultado, pois ele virá de forma natural. Cada parte da empresa se sente empoderada para correr riscos calculados, adaptar, inovar e se mover na velocidade da crise. Quando isso acontece, podemos enfrentar qualquer crise.

O Desafio da Empatia

A empatia é a capacidade de reconhecer e se identificar com as emoções das outras pessoas. A empatia é crucial para uma boa liderança. Contudo, em tempos de crise, ela pode se tornar uma barreira na implementação das medidas necessárias. A empatia pode reduzir a sua agilidade.

Juan Enriquez, Diretor Administrativo da Excel Venture Management, recentemente aconselhou líderes nesses tempos de crise: “É preciso começar a pensar como um cirurgião. Um cirurgião não pensa ‘Isso vai doer e a recuperação ao longo dos próximos dois meses será difícil.’ Ele diz: ‘Para salvar a vida do paciente ou melhorar sua condição, precisamos realizar essa cirurgia.’ E é exatamente assim que, como líderes, vocês precisam pensar.”

Líderes são, em geral, obrigados a tomar decisões difíceis envolvendo demissões, reduções salariais, fechamento de filiais, etc. Isso impacta diretamente e negativamente na vida das pessoas. Estamos há alguns anos aprendendo sobre empatia, porém em alguns momentos ela precisa ser deixada de lado. E em momentos de crise, mais ainda.

A solução para combater a paralisia gerada pela empatia é a compaixão. A empatia e a compaixão são muito diferentes do ponto de vista psicológico, emocional e neurológico. A empatia surge quando vemos alguém sofrendo, mas normalmente não demonstramos esse sentimento. A compaixão, por outro lado, é mais construtiva. Ela se inicia com a empatia e é direcionada ao outro com a intenção de ajudar.

Para observar a compaixão na prática, considere as ações e recentes declarações de Alan Jope, CEO da Unilever. Ele expressa forte empatia por aqueles que estão sofrendo com o coronavírus e aqueles envolvidos na prestação de cuidados. Ele traduz essas emoções em um plano de ação claro e ousado, com uma contribuição global em mercadorias para ajudar no fluxo de caixa de clientes varejistas de pequeno porte e fornecedores vulneráveis. A empatia o levou a ter compaixão e construir uma ação para ajudar esses negócios. Ele poderia apenas ter expressar empatia.

Para trazer mais compaixão à sua liderança e permitir mais agilidade, crie o hábito de se fazer uma pergunta simples sempre que estiver com outra pessoa: como posso ser útil a essa pessoa? Essa simples pergunta repetida muitas vezes ao longo do dia irá gradualmente mudar a sua forma de pensar e agir.

Para líderes atuantes em tempos de crise, ou em qualquer outro momento com circunstâncias semelhantes, superar esses três desafios irão torná-los mais ágeis para gerir pessoas e negócios e sair da crise com sucesso e muitos aprendizados. Sejamos menos perfeccionistas e mais ágeis. Se algo nasceu perfeito, é porque nasceu tarde nos dias de hoje.

Fonte: Harvard BR

 

Topics: Gestão de pessoas

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